Texto Adriana Fricelli | Fotos Sidney Doll via Portal Decoração
O número de pessoas que buscam um profissional de arquitetura ou design de interiores para decorar ou reformar a casa é cada vez maior. Mas a decisão costuma ser seguida de incertezas e dúvidas. Consultamos os próprios profissionais para responder muitas delas.
Em seu escritório, a arquiteta Fernanda Marques elabora os projetos em parceria com sua equipe
O que fazem os arquitetos, designers de interiores e decoradores? Quais as diferenças entre eles?
Arquiteto: é um profissional de formação superior, reconhecido pelo Ministério do Trabalho de acordo com a Lei Federal nº 5184/1966. A abrangência de suas funções inclui a alteração na estrutura construtiva, caso seja necessário.
Designer de Interiores: para exercer a profissão, é necessária a qualificação em curso técnico ou faculdade de design de interiores, ou então o título de arquiteto, desde que cursada a disciplina de Arquitetura de Interiores. A formação, no entanto, não lhe permite autorizar alterações estruturais, função que cabe a um arquiteto ou a um engenheiro.
Decorador: as atribuições e limitações de suas atividades assemelham-se ao do designer de interiores, com a diferença de não possuírem formação técnica. Dessa forma, suas competências são guiadas pela bagagem cultural e pelo talento.
Por que contratar um profissional?
Para obter um projeto com qualidade estética, que agregue conforto, funcionalidade e segurança, sem desperdício de tempo, mão de obra e materiais. Sem contar a garantia da execução no prazo determinado, o que evitará futuras dores de cabeça.
Quais características devem ser observadas ao contratar?
Criatividade, organização, sensibilidade, comunicabilidade e habilidade de negociação são fatores consideráveis, além, claro, de demonstrável conhecimento sobre produtos, materiais, cores, texturas, iluminação e outros aspectos técnicos.
Como encontrar a pessoa certa para viabilizar o seu sonho?
A indicação é a forma mais utilizada. Outro meio é ler revistas especializadas em busca de projetos que agradam, conhecer os estilos dos profissionais e informar-se sobre tendências. Selecionados os primeiros nomes, deve-se partir para o contato. O primeiro encontro será decisivo para medir a afinidade do relacionamento a ser construído, afinal, à semelhança de um psicólogo, o decorador ou arquiteto precisará entrar na intimidade do cliente com o objetivo de criar um projeto adequado ao seu modo de vida.
“Errei porque investi em móveis nada funcionais. Percebi que não conseguia fazer a tarefa sozinha e recorri à orientação profissional. No final, gastei duas vezes”, conta Daniela Masson, publicitária
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À direita, mãe e filha aprovam o trabalho das arquitetas Ana Bardini e Adriana Speyer
O que o profissional precisa saber sobre você?
Basicamente, seus hábitos, desejos, disponibilidade orçamentária, tamanho da família e um pouco do estilo com o qual você mais se identifica.
O que fazer para descobrir seu estilo?
Comece observando a sua sensibilidade e os seus hábitos. Analise a casa, veja o que gostaria de mudar e como imagina que deve ficar. Visite mostras de decoração, leia revistas e jornais especializados, marcando tudo o que for do seu agrado. Essas anotações vão auxiliar o profissional a perceber os seus desejos e expectativas. Uma boa conversa também pode ser muito esclarecedora, assim como um passeio por algumas lojas. “A participação do cliente é essencial para garantir o seu objetivo”, observa a decoradora Eliana Marques Lisboa. “Todos os projetos que desenvolvo expressam a identidade dos moradores. Eu uso a história deles para decorar”, enfatiza.
Como satisfazer aos diferentes gostos dos moradores?
Seu marido é supermoderno, enquanto você adota uma postura mais clássica. Para que a decoração não se torne um motivo de discórdia, a mediação do profissional é fundamental. É ele quem trará para o ambiente a diversidade dos gostos. “Às vezes, a solução é mesclar os estilos. Para isso, é preciso conhecimento e domínio da técnica”, explica a arquiteta Luciane Zulian.
“A maioria pensa que a contratação exige um custo exorbitante. No nosso caso, encontramos uma profissional acessível que trouxe a ousadia que não seríamos capazes de criar”, diz Laura Barbosa, advogada.
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A designer de interiores Eliana Tkacz (à direita) mostra a Laura as opções de mobiliário
Para o profissional, qual é a parte mais difícil?
Certamente, é o acompanhamento da obra, quando ele dependerá de terceiros para que a qualidade e os prazos estabelecidos sejam cumpridos. “Nesse momento, basta a falha de um envolvido para comprometer a equipe e o cronograma. E quem responde por isso é o profissional”, diz Adriana Speyer, que mantém escritório com Ana Bardini, também arquiteta.
E para o cliente?
Sem dúvida, é o momento de pagar por tudo. Quando se trata do projeto de uma vida, a maioria é exigente quanto às peças e os detalhes que irão compor o novo lar. E tal postura pode significar orçamento estourado. Nesses casos, o melhor é esperar e atentar ao conselho da arquiteta Carla Bergamini: “Para não ficar engessada, a casa dever ser como um guarda-roupa. Você não o monta de uma vez e sim compra as peças aos poucos”.
Ao comprar um imóvel na planta, qual é o melhor momento para chamar um profissional?
Isso dependerá da necessidade e do quanto ele poderá dispender no momento. Mas o recomendado é que a contratação seja feita logo após a aquisição do imóvel. Com a planta em mãos, o profissional poderá desenvolver o layout, onde serão definidos os acabamentos, a marcenaria e a distribuição dos móveis, por exemplo. Mas é preciso considerar que “uma coisa é a planta oferecida, outra é a medida real, feita quando o acesso ao imóvel for permitido pela construtora. Neste momento, é provável que haja algumas adaptações”, coloca a arquiteta Luciane Zulian.
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Quanto custa reformar ou decorar?
É impossível determinar um preço, já que o valor depende do tamanho da obra em metros quadrados, do tipo e da complexidade do projeto. Mas, geralmente, há duas formas de cobrança, uma baseada na elaboração do projeto, que pode ser estabelecida a partir do metro quadrado ou hora trabalhada, e outra na administração da obra. “A taxa de administração de obra é calculada aplicando-se um porcentual que varia de 10% a 15% sobre o valor de todos os produtos e serviços gastos para a sua realização”, explica a diretoria da ABD, que ainda acrescenta outras possíveis modalidades: a consulta cobrada por hora técnica e a visita à obra, também calculada por hora. Segundo dados da ABD, uma consulta técnica de até três horas, por exemplo, custa entre R$ 125 e R$ 250. “Cabe ao contratante estar satisfeito e ter a liberdade de realizar outras consultas para comparação”, informa a AsBEA.
É possível contratar apenas o projeto e fazer a execução por conta própria?
Sim, apesar de não ser recomendável, pois o morador não terá garantia da qualidade do trabalho final e será solicitado frequentemente, o que, certamente, provocará desgaste. “Com um profissional, o cliente reduz em 80% os problemas que teria se tocasse a obra sozinho”, garante a arquiteta Luciane Zulian. Mas, caso não haja disponibilidade financeira, ao menos certifique-se de que os membros da equipe saibam entender o projeto e executá-lo. Outra possibilidade é encomendar só o projeto e, na sequência, contratar outra empresa especializada para efetivá-lo. No entanto, o arquiteto que o projetou pode acompanhar, em visitas, momentos críticos da obra, para saber se o que ele pensou está sendo executado de acordo.
Quanto custa contratar um designer de interiores?
Na tabela, veja o valor médio cobrado por m² pelos profissionais de cada Estado, segundo dados da Associação Brasileira de Designers de Interiores.

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Sueli Adorni indica produtos de qualidade para uma decoração bela
e até econômica, dada a relação custo-benefício
Quais as principais etapas de uma obra?
De acordo com informações do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), o detalhamento das etapas é bom para todos os envolvidos, pois possibilita o controle do processo, medições de pagamento, visualização dos pontos críticos e ajustes nos prazos, quando necessário.
Pesquisa e análise – Os objetivos e desejos do cliente são complementados com o conhecimento técnico do profissional, materializados em documentos e adequados ao orçamento disponível.
Elaboração do projeto executivo – Representada em plantas, cortes, elevações. Determinação dos pontos de distribuição das redes hidráulicas, sanitárias e telefônicas e seleção de cores, materiais e layout da distribuição do mobiliário. Paralelo a todas essas fases, poderá ser desenvolvido o projeto paisagístico.
Execução da obra – O profissional ficará encarregado de coordenar a equipe que vai atuar na execução do projeto, comprar os materiais previamente cotados e aprovados pelo cliente para garantir a qualidade e o cumprimento do cronograma estabelecido. Tudo mediante a emissão regular de relatórios informativos.
O barato pode sair caro?
Você resolveu economizar e decorar por conta própria, mas, no final, o sofá comprometeu a circulação, a cor deixou o ambiente carregado, a instalação do assoalho não ficou do jeito que imaginava. Para resolver esses problemas, só fazendo tudo de novo, ou seja, pagando duas vezes. Foi o que aconteceu com a publicitária Daniela Masson, que investiu tempo e dinheiro na tentativa frustrada de decorar os quartos das filhas. Diante do resultado, ela recorreu às arquitetas Adriana Speyer e Ana Bardini para deixar os ambientes mais amplos e bem-resolvidos.
Qualidade é sinônimo de profissional caro?
Nem sempre. É possível contratar gente nova no mercado, que, mesmo com pouca experiência, pode gerar bons resultados. Ou, então, recorrer a profissionais experientes que facilitam o pagamento, como é o caso da designer de interiores Eliana Tkacz. Valores acessíveis e facilidade de pagamento foram determinantes para que a advogada Laura Barbosa e o marido a contratassem para reformar o apartamento de 80 m², cujo projeto custou R$ 1,5 mil. A execução foi implementada por conta própria, de acordo com o orçamento. .jpg)
O designer de interiores Francisco Calio escolhe lustre na loja Bertolucci
Existem financiamentos para reformar ou construir?
Se falta dinheiro para tocar a obra, atente às linhas de créditos de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Esta oferece opções como o Construcard FGTS, que disponibiliza crédito ilimitado, com juros a partir de 1,57% + TR ao mês. O Banco do Brasil oferece financiamento imobiliário, que varia de R$ 20 mil a R$ 1,5 milhão, com taxas de juros a partir de 8,4% + TR e prazo de pagamento em até 360 meses.
E para decorar?
Os paulistanos têm um motivo a mais para ir às compras: o Credit Home. Uma parceria firmada entre o Núcleo de Decoração e o ABN AMRO – Aymoré Financiamentos, que oferece descontos para o pagamento à vista ou parcelado em até 36 vezes, nas 25 empresas associadas. Basta entrar no site www.nucleodecoracao.com.br e fazer uma simulação das parcelas e dos juros correspondentes ao valor a ser financiado. A aprovação é feita pelo banco em até 48 horas, mediante o envio das informações solicitadas. Depois disso, é só ir às lojas e manifestar interesse em utilizar o Credit Home.








